A crescente escalada das tensões entre os Estados Unidos da América e a Venezuela culminou numa operação em Caracas que levou à captura de Nicolás Maduro e da sua mulher, Cilia Flores.
Perante a urgência da situação na Venezuela, o Parlamento Europeu debateu a situação do país e a necessidade de assegurar uma transição democrática e pacífica, na primeira sessão plenária de 2026. Dirigindo-se à Vice-Presidente da Comissão e Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, o deputado Sebastião Bugalho destaca a posição assumida pela UE desde as eleições presidenciais venezuelanas: “Este foi o primeiro parlamento no mundo a reconhecer a vitória do movimento democrático venezuelano. Fizemo-lo em 2024 contra críticos e descrentes, fizemo-lo sobretudo porque tínhamos de o fazer”.
Em resposta à extradição de Nicolás Maduro, a União Europeia reconhece uma oportunidade para uma transição democrática liderada pelo povo venezuelano, assente no respeito pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas, apontando igualmente para o vencedor das eleições em 2024, Edmundo González. “Para nós, já era claro que o futuro dos venezuelanos só pertence aos venezuelanos. Que o seu destino é, e só pode ser, a democracia”.
“O que não podemos permitir é que a sua queda se limite a uma mudança de rosto e não a uma mudança de rumo. Se há dois anos condenámos aqui quem usurpou eleições, temos hoje a obrigação de defender aqueles que as ganharam”, sublinha o eurodeputado, num contexto em que o petróleo surge como elemento central do controlo norte-americano sobre a Venezuela, passando para segundo plano o debate sobre uma transição democrática efetiva.
Na sua intervenção, Bugalho conclui com uma mensagem de esperança muito clara: “A Venezuela não é petróleo, não é ouro e não é um protetorado. A Venezuela é um país há demasiado tempo a espera da liberdade. Que não espere mais por ela”.