A eurodeputada Lídia Pereira visitou o parque industrial de Frankfurt-Höchst, na Alemanha, onde participou na iniciativa “Resilient Fuels for a Resilient Europe”, a 9 de março, dedicada ao papel dos combustíveis resilientes na segurança energética e estratégica europeia.
Lídia Pereira integrou o painel “Fuel security as a strategic imperative for Europe”, ao lado de especialistas da NATO e de centros europeus de análise estratégica, num debate centrado na mobilidade militar, na segurança do abastecimento energético e nas vulnerabilidades das cadeias de abastecimento de combustíveis.
Na sua intervenção, a eurodeputada sublinhou que os desafios de segurança, energia, clima e tecnologia deixaram de poder ser analisados separadamente. “A segurança hoje não é uma única conversa, são várias conversas ao mesmo tempo: mobilidade militar, resiliência energética, ação climática e liderança tecnológica são peças do mesmo puzzle”, afirmou.
Lídia Pereira defendeu que a transição energética não deve ser encarada como um luxo em tempos de tensão geopolítica, mas como uma condição para reforçar a autonomia estratégica europeia. “A ação climática não é um luxo. É um imperativo moral. Mas também é um investimento que gera retornos económicos, sociais e civilizacionais”, sublinhou.
A eurodeputada portuguesa alertou ainda para a elevada dependência energética da Europa, lembrando que grande parte dos combustíveis que alimentam o transporte, a indústria e os sistemas de defesa europeus continuam a ser importados. “Dependência energética é dependência estratégica. E dependência estratégica é vulnerabilidade”, afirmou, defendendo a necessidade de desenvolver combustíveis europeus resilientes e novas tecnologias energéticas.
Entre as soluções apontadas, destacou o papel de combustíveis sintéticos, hidrogénio e combustíveis sustentáveis para aviação, sublinhando que estas tecnologias representam simultaneamente uma resposta climática e uma resposta de segurança. “Combustíveis limpos, hidrogénio ou eSAF não são apenas soluções climáticas. São também soluções de soberania e de segurança”, afirmou.
A eurodeputada referiu ainda os recentes fenómenos meteorológicos extremos que atingiram Portugal, recordando os danos causados por tempestades que destruíram milhares de quilómetros de rede elétrica e afetaram comunidades inteiras, incluindo a sua própria casa familiar em Coimbra. Para Lídia Pereira, estes acontecimentos mostram que a crise climática já tem impactos diretos na segurança e na resiliência das sociedades europeias.
Concluindo a sua intervenção, defendeu que a Europa deve apostar numa estratégia integrada que combine inovação, segurança e sustentabilidade. “A Europa não será segura se não for sustentável. E não será sustentável se não for inovadora. Investir em tecnologias limpas é também investir numa Europa mais forte, mais livre e mais resiliente”, afirmou.