Lídia Pereira interveio esta terça-feira, 6 de outubro, no Parlamento Europeu, durante o debate “This is Europe” com o Primeiro-Ministro Luís Montenegro, defendendo que a União Europeia precisa de acelerar as interconexões energéticas, reduzir dependências externas e transformar a transição energética numa verdadeira estratégia de competitividade e crescimento.
O debate decorreu no ano em que se assinalam 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia e permitiu ao Primeiro-Ministro apresentar a sua visão sobre o futuro do projeto europeu. Luís Montenegro destacou a necessidade de uma União mais competitiva, menos burocrática e mais eficaz na execução, bem como a importância da política de coesão, da segurança e da capacidade de a Europa responder aos atuais desafios geopolíticos.
Na sua intervenção, Lídia Pereira começou por sublinhar que os principais problemas europeus estão há muito identificados. “Os diagnósticos estão todos feitos: a Europa cresce pouco, paga demasiado pela energia e decide devagar. Mas Portugal mostra que é possível fazer diferente”, afirmou a vice-presidente do Grupo PPE.
A eurodeputada do PSD destacou o desempenho português na transição energética e defendeu que o país pode assumir uma voz forte na construção de uma nova agenda europeia para a energia. “Portugal prova que a transição energética atrai investimento, cria emprego e reforça a competitividade. A transição energética não é apenas política climática. É política industrial. É segurança. É soberania”, afirmou.
Lídia Pereira chamou ainda a atenção para a necessidade de acabar com o isolamento energético da Península Ibérica. “Uma Europa que ainda paga caro por décadas de dependência não pode aceitar que a Península Ibérica continue a ser uma ilha energética”, alertou, defendendo o reforço das interconexões com o resto do continente.
Para a eurodeputada portuguesa, uma maior integração energética permitiria aproveitar melhor o potencial renovável de Portugal e Espanha, diversificar fontes de abastecimento e reduzir custos para empresas e consumidores. “Interligar a Península é baixar preços, reduzir dependências e pôr energia limpa ao serviço da indústria europeia”, sublinhou.
A social-democrata concluiu deixando uma mensagem clara sobre a necessidade de transformar a autonomia energética europeia em capacidade concreta. “A soberania energética da Europa não se proclama. Constrói-se, ao ligar os recursos que temos à indústria que deles precisa.”
Ao longo do debate, Luís Montenegro defendeu também uma Europa mais competitiva e capaz de executar mais rapidamente, num contexto em que estão em discussão o próximo orçamento europeu, o aprofundamento do Mercado Único, a segurança, a defesa e o apoio à Ucrânia.
A sessão realizou-se no âmbito da série de debates “This is Europe”, dedicada à visão dos chefes de Governo sobre o futuro da União Europeia.