O Parlamento Europeu debateu esta terça-feira, em Estrasburgo, o estado da implementação do relatório Draghi sobre competitividade europeia, num momento em que cresce a pressão sobre as instituições para transformar diagnósticos em decisões concretas.
Na sua intervenção em plenário, a eurodeputada Lídia Pereira defendeu que a União Europeia tem de passar da análise à ação, alertando que o tempo para hesitações terminou.
“O tempo dos relatórios já passou. A Europa precisa de decidir, de uma vez por todas: ou simplifica, investe e escala ou fica para trás”, afirmou.
A vice-presidente do Grupo do Partido Popular Europeu sublinhou que o problema da Europa não reside na falta de talento ou capacidade empresarial, mas sim nos “custos de contexto” que penalizam empresas e investidores.
“Nós não perdemos competitividade por falta de talento. Perdemos por custos de contexto: burocracia, fragmentação e energia cara”, afirmou, defendendo reformas estruturais que eliminem entraves administrativos e tornem o Mercado Único verdadeiramente funcional.
Dirigindo-se particularmente às Pequenas e Médias Empresas, Start-Ups e Scale-ups, Lídia Pereira foi clara: “Já estão fartas de diagnósticos. Precisam de um choque de simplificação. Menos obrigações redundantes, menos papelada, menos labirintos administrativos.”
A eurodeputada fez questão de distinguir simplificação de desregulação, defendendo “menos leis, mas melhores regras”, com processos digitais por defeito, reconhecimento mútuo efetivo entre Estados-Membros e aplicação plena do princípio “once-only”, segundo o qual uma empresa não deve ter de submeter a mesma informação repetidamente em diferentes países da União.
“A empresa não pode ser obrigada a provar a mesma coisa 27 vezes para crescer 27 vezes”, afirmou.
Outro eixo central da intervenção foi o financiamento da inovação. Lídia Pereira defendeu que a União da Poupança e do Investimento deve funcionar como verdadeiro motor de escala para as empresas europeias.
“A União da Poupança e do Investimento tem de ser um espaço em que o capital encontra o conhecimento, em que o investimento encontra a inovação, em que o financiamento se encontra com as ideias.”
Concluindo a intervenção, apelou a decisões rápidas por parte das instituições europeias, para que a competitividade deixe de ser um conceito abstrato e se traduza em resultados concretos para empresas, trabalhadores e cidadãos.
“Sejamos nós aqui rápidos a decidir. Para que mais competitividade não seja um debate abstrato, mas um objetivo cumprido.”
Este debate surge num contexto em que várias propostas legislativas ligadas à simplificação regulatória, à União dos Mercados de Capitais e à política energética estão ainda em fase de implementação, mantendo-se o desafio de transformar as recomendações estratégicas do relatório Draghi em medidas operacionais com impacto real na economia europeia.