O eurodeputado Paulo Cunha, chefe da delegação do PSD no Parlamento Europeu, participou no debate sobre as conclusões da reunião do Conselho Europeu de 19 de março, que aconteceu em Bruxelas, e contou com a presença do Presidente do Conselho Europeu, António Costa e o Comissário da Economia e Produtividade. Implementação e Simplificação, Valdis Dombrovskis.
Portugal e a União Europeia enfrentam um período de instabilidade energética devido às tensões no Médio Oriente e ao fecho do Estreito de Ormuz que consequentemente, provocaram um aumento nos preços dos combustíveis fósseis. Neste contexto, torna-se urgente uma resposta europeia coordenada para acelerar a transição energética e reforçar a autonomia estratégica da União.
Na sua intervenção, destaca o aumento dos preços dos combustíveis fósseis e o seu impacto na economia, com efeitos no consumo, nas cadeias de produção, gerando riscos de disrupção e pressão sobre a inflação. Esta instabilidade evidencia a insuficiência de respostas exclusivamente nacionais ou regionais perante desafios sistémicos.
“É justamente por isso que a Europa deve agir de forma coordenada, consequente, solidária e, sobretudo, célere.”, afirma Paulo Cunha.
O deputado evidencia fragilidades estruturais associadas à dependência energética externa e a um processo de descarbonização ainda incompleto. No entanto, a atual crise pode contribuir para acelerar a transformação do modelo energético europeu.
"Este momento demonstra que o caminho da descarbonização e da autonomia energética não pode abrandar. Pelo contrário, deve ser reforçado com determinação para garantir a soberania e a segurança energéticas da Europa," acrescentou.
Na sequência da invasão da Ucrânia, a União Europeia iniciou um processo de redução da dependência energética externa, atualmente reforçado pelos desenvolvimentos do Médio Oriente.
Paulo Cunha afirma que Portugal destaca-se com cerca de 80% de eletricidade produzida em 2025 provenientes de fontes renováveis, demonstrando viabilidade de um modelo energético mais sustentável e independente. Desta forma, é fundamental reforçar interligações europeias, eliminando bloqueios estruturais e promovendo uma maior integração do sistema energético.
“Urge, por isso, desbloquear entraves à criação de conexões elétricas em toda a Europa, reforçando, assim, a sua soberania energética.”, conclui.
A resposta à crise exige mais coordenação europeia, mais investimento e maior integração, de forma a garantir uma Europa resiliente, capaz de proteger os cidadãos e assegurar estabilidade económica perante choques externos