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  • 4 de dezembro, 2025

Portugal e a Europa precisam de mais engenheiros especialistas em segurança e defesa

“Os projetos de engenharia na segurança e defesa estão a atingir uma escala nunca vista na Europa, o que se traduz numa excelente oportunidade para o setor da engenharia”. A afirmação é do eurodeputado Hélder Sousa Silva, na conferência “Engenharia na Segurança e Defesa”, que decorreu hoje em Lisboa, e onde defendeu a necessidade de se formarem mais engenheiros especialistas em defesa.

O eurodeputado, engenheiro de formação, explicou que a Europa necessitará de novas linhas de produção de munições, novas fábricas de blindados, uma modernização das frotas navais, novos radares, satélites, drones, etc. O que, no entender de Hélder Sousa Silva, significa mais centenas de projetos de engenharia “a uma escala que a Europa não via há décadas, se descontarmos a engenharia de software”.

Num encontro promovido pela Ordem dos Engenheiros de Portugal e a associação congénere italiana Consiglio Nazionale degli Ingegneri (CNI), o eurodeputado disse ser esta “uma oportunidade grande para o setor da engenharia”. Hélder Sousa Silva mostrou como a Europa está há a três anos a mudar de rumo: “Em 2021, os Estados-membros da União Europeia gastavam cerca de 218 mil milhões de euros em defesa. Em 2024, esse valor já atingiu 343 mil milhões, um aumento de 57% em apenas três anos, o que corresponde a 1,9% do PIB da UE. A tendência para 2025 aponta para cerca de 381 mil milhões de euros e 2,1% do PIB”. Uma tendência que, garante o eurodeputado eleito pelo PSD, “continuará a subir nos próximos anos.”

A cibersegurança foi outra temática abordada por Hélder Sousa Silva, numa altura em que crescem os incidentes de cibersegurança contra infraestruturas críticas. Em 2024, na UE, foram reportados quase 1300 incidentes de cibersegurança contra infraestruturas críticas (abrangidas pelo NIS II), o que corresponde a um aumento de cerca 18% face a 2023. O eurodeputado alertou que estes ataques não afetam apenas computadores, pois estendem-se a “a hospitais, redes de energia, sistemas ferroviários, bancos ou ainda a administração pública”. E completa: “As próprias normas europeias em domínios como a cibersegurança, a resiliência de infraestruturas críticas ou a proteção de dados estão a caminhar para uma exigência crescente de competências técnicas”.

Face a todo este cenário, Hélder Sousa Silva afirmou ser necessário formar mais engenheiros especialistas em defesa, devendo esta área “ser vista como uma das mais exigentes, completas e financeiramente atrativas da engenharia europeia”. Apelando aos presentes para promoverem a formação nesta área, Hélder Sousa Silva disse ser necessário mostrar aos jovens que “a engenharia de defesa hoje não é um universo fechado em quartéis, mas um espaço de inovação que cruza cibersegurança, espaço, materiais avançados, energia, mobilidade, comunicações, inteligência artificial. Um espaço onde um engenheiro civil, um eletrotécnico, um informático, um químico ou um aeroespacial podem trabalhar lado a lado em projetos que servem ao mesmo tempo fins civis e fins militares”.

Em Portugal, e segundo o estudo “A Resiliência da Economia de Defesa em Contexto de Crise”, da idD – Portugal Defence, a economia de defesa emprega cerca de 40 mil trabalhadores, o que corresponde a 0,94% do emprego nas empresas nacionais. Com salários mais do dobro da média nacional, a engenharia na segurança e na defesa é, nas palavras do eurodeputado “uma oportunidade muito concreta de carreira para os nossos jovens engenheiros, e uma oportunidade de reter talento em Portugal e na Europa, em vez de o perder para outras geografias”.

E terminou com uma garantia: “Se quisermos uma Europa segura, precisamos que os engenheiros estejam no centro dessa escrita, não apenas como executores, mas como autores”.