É desta forma que Sebastião Bugalho olha para a relação entre a União Europeia e o Canadá, depois de Ursula von der Leyen ter proposto, em Estrasburgo, que o país se torne o primeiro membro associado da União Europeia, durante o discurso do Estado da União.
O eurodeputado do PSD, negociador do Grupo PPE para o Canadá, considera que a proposta surge na sequência de uma aproximação que se tem vindo a reforçar nos últimos anos. Bugalho sublinha, no entanto, que o conceito de "membro associado" ainda está por definir: "Neste momento não significa nada, o que quer dizer que pode significar tudo." O eurodeputado deixou, ainda, uma distinção clara: "O Canadá não é candidato à adesão europeia. Acho que é muito importante explicarmos que ser um membro associado não é ser um Estado-membro."
O Canadá foi o primeiro país não europeu a integrar o mecanismo SAFE, já contribuiu com quase 30 mil milhões de dólares para a Ucrânia, lidera a Operação Reassurance da NATO na Letónia e assinou uma Parceria de Segurança e Defesa com a UE. A aproximação tem sido também política e económica: depois da cimeira UE-Canadá do ano passado, Mark Carney participou na reunião da Comunidade Política Europeia, na Arménia - o primeiro líder não europeu a fazê-lo -, e a próxima cimeira UE-Canadá será em outubro em Montreal.
Na mesma semana do discurso sobre o Estado da União, a presidente do Banco Europeu de Investimento, Nadia Calviño, viajou até Otava para reforçar a cooperação entre a UE e o Canadá no domínio das matérias-primas críticas, esperando-se que esta viagem seja o primeiro passo para formalizar essa parceria. Para Bugalho, esta sucessão de iniciativas mostra que há hoje espaço para uma relação mais ambiciosa, em áreas como a energia e os materiais críticos, a investigação e inteligência artificial e a indústria.
Para já, o modelo de membro associado permanece em aberto. “A Presidente da Comissão foi prudente e fez bem em manter algum espaço de manobra para nós virmos a decidir o que vamos fazer com esta parceria”, defendeu Bugalho, que considera que o Conselho, os Estados-membros e o Parlamento Europeu terão agora um papel na definição desta nova relação.
Os restantes anúncios da Presidente da Comissão Europeia durante o seu discurso em Estrasburgo são, para Bugalho, sinais positivos de que o Canadá é visto cada vez menos como um parceiro meramente comercial e cada vez mais como parte estrutural da autonomia estratégica da Europa. "Há razões para sermos otimistas e há razões para reconhecermos o mérito que esta relação tem tido na última década", salientou o deputado, considerando o Canadá "um parceiro confiável" e, recuperando a expressão atribuída a Mark Carney, "o mais europeu dos não europeus".