campaign-5
  • 17 de setembro, 2026

Paulo Cunha apela à necessidade de redes mais fortes para aproveitamento pleno da energia renovável

A elevada produção de energia renovável está a reduzir a dependência externa de Portugal e a tornar o preço da eletricidade mais competitivo, mas o seu pleno aproveitamento exige redes mais modernas, melhores interligações com a Europa e uma maior capacidade de armazenamento, defendeu esta quarta-feira Paulo Cunha, no Parlamento Europeu.

O chefe da Delegação do PSD e membro da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia participou num pequeno-almoço de trabalho promovido pela EUFORES com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que apresentou a estratégia portuguesa para a transição energética. Paulo Cunha destacou o trabalho desenvolvido pela ministra e pelo Governo no apoio às energias renováveis, no combate à pobreza energética e na resposta ao apagão e aos fenómenos climáticos extremos.

Um dos principais temas analisados foi o peso crescente das fontes renováveis no sistema elétrico português e a proteção que esta produção oferece perante a instabilidade dos mercados internacionais, agora agravada pelo conflito no Médio Oriente.

Os resultados apresentados mostram já essa vantagem: entre janeiro e agosto de 2026, 74,4% da eletricidade produzida em Portugal teve origem em fontes renováveis. No primeiro semestre do ano, o preço da eletricidade no mercado grossista foi de 48,77 euros por megawatt-hora em Portugal, comparativamente com 127,18 euros em Itália.

“Uma eletricidade menos dependente de combustíveis importados protege-nos melhor de crises externas, reduz os custos das empresas e dá a Portugal uma vantagem importante para atrair investimento”, defendeu Paulo Cunha.

Durante o encontro foram também apresentados os programas de apoio à eficiência energética dos edifícios e ao combate à pobreza energética, num total de 279 milhões de euros em apoios, que deverão chegar a cerca de 180 mil famílias. 

O crescimento da produção renovável coloca agora um novo desafio: garantir redes com capacidade para transportar mais eletricidade, melhores interligações entre a Península Ibérica e França e soluções para guardar a energia que não é consumida de imediato. Até 2030, Portugal pretende aumentar a capacidade de bombagem hidroelétrica, que permite armazenar água nas barragens para produzir eletricidade mais tarde, e reforçar o armazenamento em baterias.

Paulo Cunha tem levado esta preocupação ao Parlamento Europeu. No trabalho que desenvolve na Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia, acompanha a revisão das regras das redes transeuropeias de energia e tem defendido condições para acelerar os investimentos necessários, integrar mais fontes renováveis e ultrapassar o isolamento energético da Península Ibérica.

“O objetivo não pode ser apenas produzir mais energia renovável. Portugal tem de conseguir colocá-la ao serviço das famílias e da indústria e exportá-la para o restante mercado europeu. As decisões que tomarmos sobre as redes, armazenamento e interligações terão um impacto direto na competitividade da economia portuguesa”, concluiu o eurodeputado.