No âmbito da semana da Saúde Mental, o Eurodeputado do PSD, Paulo do Nascimento Cabral, coorganizou, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o seminário “Saúde mental na agricultura”, tendo afirmado que “nunca nos devemos esquecer que por detrás de cada exploração agrícola está uma pessoa, uma família. E por detrás da segurança alimentar da União Europeia estão agricultores cujo bem-estar social, económico e psicológico não podemos ignorar”.
A iniciativa, que contou com a participação do Comissário Europeu para a Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, foi desenvolvida em colaboração com o SafeHabitus, projeto financiado pelo programa Horizonte Europa que trabalha na promoção da segurança, saúde e bem-estar dos agricultores e no reforço dos sistemas de conhecimento e inovação nesta área.
O Eurodeputado do PSD destacou que o "aumento dos custos de produção como os fertilizantes e combustíveis, a falta de mão de obra, as condições meteorológicas imprevisíveis, as tensões geopolíticas e os conflitos comerciais, aliados a uma burocracia complexa e a regras em constante mudança, estão a colocar os agricultores sob uma pressão crescente".
“Temos de atuar sobre as condições que estão na origem deste sofrimento. Não podemos pedir aos agricultores que sejam mais resilientes ao mesmo tempo que tornamos as suas vidas mais inseguras”, sublinhou.
Paulo do Nascimento Cabral voltou a defender a criação de um mecanismo europeu de resseguro agrícola de modo a reforçar a proteção face a fenómenos climáticos extremos, uma proposta anteriormente assumida por Portugal e recentemente reiterada em Bruxelas pelo Ministro da Agricultura. “Uma única campanha agrícola desastrosa não pode destruir uma vida inteira de trabalho”, enfatizou o Eurodeputado, destacando que "a Presidente Von der Leyen anunciou no recente discurso do Estado da União a criação de um mecanismo de seguros climáticos, o que é uma ótima notícia porque tornou europeia a proposta do Governo Português e dos Eurodeputados do PSD nas garantias aos nossos agricultores".
Na ocasião, o Eurodeputado do PSD defendeu igualmente que "os agricultores devem poder reformar-se com dignidade. Nenhum agricultor deve ser obrigado a continuar a trabalhar para além da idade legal de reforma simplesmente por não dispor de condições financeiras que lhe permitam cessar a atividade. Pensões adequadas, aconselhamento em matéria de sucessão e mecanismos de transferência voluntária das explorações agrícolas devem garantir segurança económica aos agricultores mais idosos e criar oportunidades para a próxima geração".
"Por último, é fundamental restabelecer o orgulho na atividade agrícola e garantir que os agricultores recebam o reconhecimento social que lhes é devido pelo papel fundamental que têm de colocar comida na mesa dos europeus. Temos também de apostar no desenvolvimento dos nossos territórios rurais, de modo a garantir o acesso à saúde, educação, serviços, para que possamos fixar as populações e dar-lhes as condições necessárias para desenvolverem a sua atividade profissional. A sustentabilidade económica, ambiental e social deve avançar de forma integrada. Não há verdadeira sustentabilidade quando um agricultor não consegue obter um rendimento digno da sua atividade e tem a sua saúde mental degradada", salientou Paulo do Nascimento Cabral.
Paralelamente, o Eurodeputado açoriano, em parceria com um eurodeputado francês e outra finlandesa, e com o SafeHabitus, promoveu uma exposição dedicada à saúde mental, segurança e bem-estar na agricultura, cuja abertura contou com as intervenções da Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e da Vice-Presidente Executiva da Comissão Europeia para os Direitos Sociais e Competências, Empregos de Qualidade e Preparação, Roxana Mînzatu.