O Parlamento Europeu aprovou esta semana, em Estrasburgo, a Recomendação sobre a evolução da situação geopolítica no Leste Asiático e a necessidade de uma cooperação mais estreita com parceiros afins na região, numa votação que contou com 542 votos a favor.
Negociado pelo eurodeputado Sebastião Bugalho em nome do Partido Popular Europeu, o texto aprovado define as prioridades da União Europeia na sua relação com os parceiros democráticos da região - o Japão, a Coreia do Sul e Taiwan - numa altura em que a instabilidade geopolítica no Indo-Pacífico assume uma relevância crescente para a segurança e a prosperidade europeias.
Apesar de geograficamente distantes, estes parceiros têm dado provas concretas de que a sua relação com a União Europeia assenta em valores e interesses verdadeiramente partilhados.
Para Bugalho, “esta é uma relação privilegiada que devemos aproveitar e que se tem mostrado mutuamente benéfica e particularmente importante num contexto geopolítico complexo. Aprofundar parcerias e explorar novas é essencial para a União Europeia, para a sua independência em áreas estratégicas e para a sua própria segurança”.
O Japão, que com a União Europeia representa cerca de 25% do produto interno bruto mundial, tem sido um aliado firme no apoio à Ucrânia, tendo contribuído com vinte mil milhões de dólares em assistência, e um pilar indispensável das grandes organizações multilaterais. Taiwan é hoje um dos produtores mundiais de semicondutores mais críticos para as cadeias de abastecimento globais, razão pela qual o texto apela à exploração de um acordo bilateral de investimento. A Coreia do Sul, por sua vez, foi o primeiro país asiático a associar-se ao programa Horizonte Europa, em julho de 2025, sinalizando uma convergência crescente com a agenda europeia de investigação e inovação.
“A Europa tem parceiros no Indo-Pacífico que partilham os seus valores e os seus interesses e tem de os saber aproveitar. O Japão e a Coreia do Sul são democracias vibrantes e parceiros estratégicos insubstituíveis numa região cada vez mais decisiva para o futuro da ordem internacional", afirmou Sebastião Bugalho.