Lídia Pereira defendeu no Parlamento Europeu, durante a sessão plenária de maio, que a União Europeia já não precisa de mais diagnósticos sobre o Mercado Único, mas sim de decisões concretas para eliminar barreiras internas que continuam a travar o crescimento, a competitividade e a criação de emprego. Na sua intervenção, a eurodeputada portuguesa alertou para o facto de a Europa continuar, trinta anos depois, com um Mercado Único ainda por concretizar em áreas essenciais para a afirmação económica europeia.
Para a vice-presidente do Grupo PPE, a maior reforma económica de que a Europa precisa não passa por mais endividamento, mas antes pela capacidade de remover obstáculos que os próprios Estados-Membros e instituições foram acumulando ao longo dos anos. “A maior reforma que a Europa tem de fazer não exige um euro de dívida. Exige coragem política para derrubar as fronteiras internas que nós próprios criámos”, afirmou Lídia Pereira.
A eurodeputada do PSD sublinhou que o impacto dessas barreiras se sente diretamente na economia real, sobretudo nas pequenas e médias empresas, que enfrentam regras duplicadas, falta de previsibilidade e entraves à expansão dentro do próprio espaço europeu. “Cada barreira que mantemos é um emprego que perdemos. Cada regulamento duplicado é uma PME que desiste de exportar. Cada ano de hesitação é uma startup europeia que escala fora da Europa”, alertou.
Na intervenção, Lídia Pereira defendeu três prioridades para desbloquear o potencial do Mercado Único. Em primeiro lugar, simplificar a legislação, com menos burocracia e maior foco na competitividade, em especial para as PME. Em segundo lugar, concluir a União da Poupança e do Investimento, de forma a garantir que o capital europeu financia empresas europeias. Por fim, integrar de forma efetiva o mercado interno dos serviços, da energia e do digital, setores decisivos para a autonomia económica e estratégica da União.
A social-democrata considerou que as empresas europeias não pedem tratamento privilegiado, mas sim um enquadramento claro, estável e coerente. “As nossas empresas, sobretudo as PME, não pedem subsídios. Pedem regras claras, estáveis e iguais para todos. Pedem previsibilidade. Pedem que a Europa seja, finalmente, um mercado à altura da sua ambição”, afirmou.
Lídia Pereira concluiu com um apelo a uma mudança de ritmo na resposta europeia, defendendo que o tempo da hesitação tem de dar lugar à ação. “Já lá vai o tempo dos diagnósticos. Este é o tempo das decisões.”