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  • 19 de maio, 2026

Lídia Pereira pede unidade europeia e reciprocidade na relação com a China

Lídia Pereira participou, no passado dia 17 de junho, em Estrasburgo, no debate parlamentar de preparação da reunião do Conselho Europeu de 18 e 19 de junho, defendendo uma abordagem europeia mais firme, unida e estrategicamente consciente na relação com a China.

Na sua intervenção, a eurodeputada portuguesa alertou para a necessidade de ultrapassar falsas escolhas no debate europeu sobre Pequim. “O debate sobre a China é demasiadas vezes reduzido a falsas escolhas: cooperação ou confronto, abertura ou proteção, diálogo ou firmeza”, afirmou. Para a vice-presidente do Grupo PPE, a Europa não pode continuar refém desta lógica simplista e deve antes construir uma estratégia que combine abertura ao diálogo com defesa efetiva dos seus interesses económicos e industriais.

Lídia Pereira sublinhou que a relação com a China continua a ter um peso económico incontornável, mas advertiu que esse diálogo não pode ser conduzido a partir de uma posição de fragilidade. “Temos de aprofundar o diálogo. Mas não o podemos fazer a partir de uma posição vulnerável”, defendeu, chamando a atenção para as dependências europeias em cadeias de valor críticas e para a necessidade de reforçar a resiliência da economia europeia.

A eurodeputada do PSD destacou igualmente que a dependência não existe apenas de um lado e que a Europa deve saber usar melhor o peso do seu mercado interno. “A China precisa do mercado único europeu e, por assim ser, nós temos de conseguir usar melhor o peso da nossa economia para conseguir reciprocidade e condições justas para as empresas europeias”, afirmou.

Para Lídia Pereira, esse objetivo só será possível se a União Europeia agir de forma coesa. A social-democrata criticou, por isso, a fragmentação das abordagens nacionais perante Pequim, considerando que ela enfraquece a posição europeia. “Quando cada um dos nossos Estados-Membros visita Pequim em busca de acordos bilaterais e de ganhos de curto prazo, a China ouve 27 vozes, mas nenhuma com força suficiente para se impor e ser respeitada”, alertou. “A força da Europa não está na soma dos nossos países. Está na nossa união.”

No final da sua intervenção, Lídia Pereira deixou ainda uma mensagem política clara sobre o tipo de relação que a Europa deve procurar construir com a China. “A Europa não procura o confronto, procura uma relação justa. Mas uma relação assim não se constrói sob pressão, constrói-se com confiança”, afirmou. E concluiu: “Essa confiança, que tem de ser mútua, não se exige, conquista-se com respeito, reciprocidade e regras claras.”