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  • 24 de junho, 2026

Paulo Cunha defende uma democracia mais forte na era da Inteligência Artificial

A inteligência artificial está a transformar a forma como os cidadãos acedem à informação e participam nos processos democráticos. Perante esta nova realidade, a Comissão Europeia convidou o relator da Convenção-Quadro do Conselho da Europa sobre Inteligência Artificial, Direitos Humanos, Democracia e Estado de Direito, Paulo Cunha, para participar no High-Level Event on Democracy, uma iniciativa dedicada ao reforço da democracia europeia. 

O encontro realizou-se no contexto do European Democracy Shield, uma estratégia lançada pela Comissão Europeia para responder aos desafios que as democracias enfrentam numa era marcada pela desinformação, pela manipulação da informação e pela crescente utilização da inteligência artificial. O objetivo passa por reforçar a integridade dos processos eleitorais e a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas.

Na abertura do painel dedicado aos desafios da inteligência artificial nas eleições, o eurodeputado do PSD defendeu que o debate não deve centrar-se apenas na tecnologia, mas sobretudo na forma como esta pode influenciar a confiança dos cidadãos e a qualidade da democracia. 

“A democracia não é apenas um mecanismo de contagem de votos. É um sistema assente na confiança. Confiança nas instituições, nos procedimentos, na informação e, em última análise, na capacidade dos cidadãos para formarem livre e autonomamente as suas convicções políticas”, afirmou o eurodeputado do PSD, membro da Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos.

O eurodeputado, que é também chefe da delegação do PSD no Parlamento Europeu, alertou que o principal risco não reside apenas na criação de conteúdos falsos, mas na erosão gradual da confiança dos cidadãos. Quando deixa de ser possível distinguir informação autêntica de conteúdos manipulados, fragiliza-se o debate democrático e a capacidade dos cidadãos para formarem livremente as suas convicções políticas.

“O risco não é apenas que as pessoas acreditem em informações falsas. O risco é que deixem de acreditar em qualquer informação”, alertou.

Paulo Cunha sublinhou, contudo, que a inteligência artificial não deve ser encarada apenas como uma ameaça. Estas tecnologias podem tornar a informação política mais acessível, aproximar os cidadãos das instituições e reforçar a participação democrática, desde que sejam acompanhadas por transparência, responsabilização, literacia digital e regras claras.

"Em última análise, o debate sobre a inteligência artificial nas eleições não é um debate sobre máquinas. É um debate sobre a autonomia humana. A questão central continua a ser a mesma: como garantir que os cidadãos permanecem livres para formar os seus próprios juízos políticos?”, concluiu.