No dia em que Aníbal Cavaco Silva foi distinguido na primeira cerimónia da Ordem Europeia de Mérito, ao lado de figuras como Angela Merkel e Jerzy Buzek, Sebastião Bugalho alertou para a necessidade de a União Europeia se adaptar institucionalmente para fazer face aos atuais desafios geopolíticos.
Em intervenção na plenária de Estrasburgo, e na presença do Comissário Maroš Šef?ovi?, Bugalho situou o debate num momento de viragem: a União celebra os que a construíram ao mesmo tempo que procura respostas para desafios que esses mesmos fundadores não anteciparam. O eurodeputado do PSD sublinhou que a UE atravessa um período de transformação histórica, marcado pela guerra na Ucrânia, pela imprevisibilidade da relação transatlântica e por uma crescente instabilidade global.
Na sua intervenção, Bugalho fez referência às recentes palavras do recém-laureado Cavaco Silva, ex-Primeiro-Ministro, ex-Presidente da República e, como recordou, “o último chefe de governo português a ser recebido na Sala Oval mais do que uma vez” -, que afirmou que a instabilidade no Atlântico obriga a pensar numa defesa separada da NATO, tendo em conta as mudanças no seio da aliança atlântica e a urgência de uma maior autonomia da UE.
“Se um de nós sofresse uma invasão hoje, de que nacionalidade seria o primeiro soldado a vir em nosso socorro? E de que nacionalidade não seria?”. Para Sebastião Bugalho, a ausência de uma resposta óbvia é preocupante, concluindo que “uma Europa que ambicione sobreviver à mudança terá de responder a essa pergunta hoje”.