Sérgio Humberto, membro da Comissão dos Transportes e Turismo, defende que a crescente ameaça de ataques cibernéticos e físicos às infraestruturas críticas exige um investimento contínuo em segurança. A vulnerabilidade atual pode comprometer até 15% da capacidade operacional das redes de transporte em situações de crise, explica o deputado social democrata.
Na sessão plenária de Estrasburgo, o eurodeputado abordou o tema da importância das infraestruturas transeuropeias de transportes em tempos de estagnação do crescimento económico e de grandes ameaças à segurança da Europa.
De acordo com os Relatórios da Agência Europeia para a ciber-segurança (ENISA), os incidentes cibernéticos direcionados a infraestruturas críticas de transporte aumentaram cerca de 40% entre 2019 e 2022, evidenciando a necessidade de investimentos em segurança digital.
“Estudos da Comissão Europeia mostram que regiões com infraestruturas de transporte modernizadas conseguem reduzir os tempos de evacuação e resposta a emergências em até 30%, fator crucial em situações de desastres naturais ou ataques terroristas”, destaca Sérgio Humberto.
A falta de manutenção e atualização das infraestruturas pode aumentar a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento. “Estima-se que cada atraso devido a falhas estruturais possa custar à economia europeia cerca de cinco mil milhões de euros anualmente em perdas indiretas”, lamenta.
Também a falta de mão de obra qualificada em tecnologia digital é apontada como um entrave ao avanço da digitalização dos sistemas de transporte. O eurodeputado adianta que a estimativa é de que a União Europeia necessite de formar cerca 1,5 milhões de especialistas em TI e ciber-segurança, para suportar esta transição.
A melhoria das redes de transporte tem um impacto “direto” na competitividade das empresas europeias. “Temos dados que indicam que a redução dos custos logísticos pode aumentar a competitividade das PME em até 10%”, explica o deputado social democrata. De acordo com o Banco Europeu de Investimento (BEI), a cada mil milhões investidos em infraestruturas, o retorno económico pode variar entre os dois a três mil milhões de euros, estimulando a atividade económica e a criação de emprego.
“Uma rede de transporte resiliente contribui para a segurança interna ao facilitar a mobilidade de recursos em emergências e a rápida resposta das forças de segurança”, defende Sérgio Humberto.
Segundo a OCDE, países com infraestruturas modernas conseguem captar investimentos estrangeiros diretos até 15% superiores aos que possuem redes obsoletas.
“A competitividade da UE depende bastante da eficiência dos seus sistemas de transporte”, conclui.